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A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

Curiosidades linguísticas - Rostrum

As palavras têm uma história, umas mais interessantes, outras menos...

 

Rostrum era a palavra que designava o bico da ave — daí passou a designar também alguns objectos com a forma de bico, como “ esporão de navio”, “ponta da relha do arado”...

 

Sendo uma palavra do género neutro, no plural é rostra.

 

No Forum Romanum tinha o nome de  ROSTRA a tribuna de onde os oradores falavam ao povo porque estava ornamentada com os esporões (rostra “as proas”) de bronze dos navios tomados ao inimigo na batalha de Âncio, no ano 338 a.C., durante a Guerra Latina.

 

Coluna rostrata era uma coluna ornamentada com esporões — uma foi erigida no comitium em honra de  Duílio, o cônsul que venceu os Cartagineses numa batalha naval durante a 1ª Guerra Púnica.

 

Também foi instituído um prémio pela captura de navios aos inimigos — era uma corona rostrata (uma coroa rostrata) enfeitada com pequenos esporões.

 

Da ideia de “bico de pássaro”, rostrum passou a designar também o focinho de qualquer animal, passando depois a aplicar-se também às pessoas.

 

Daí vem, então, o português ROSTO, já usado no século XIII com a forma rostro.

 

Por extensão passou também a designar o “aspecto” a “frente”, daí a “folha de rosto” de um livro, o “rosto da medalha” (a parte da frente).

 

O vocábulo rostrum entra ainda na composição de palavras da área da botânica e da zoologia.

Cultura Clássica em alta?

Estará a cultura clássica a ter, finalmente, a valorização que lhe é devida?

Há, pelo menos, alguns sinais positivos.

O exame nacional de 9º ano da disciplina de Português traz bons augúrios para a cultura greco-romana e para o conhecimento do nosso passado histórico. Vejamos:

 

A prova é constituída por 4 grupos de questões.

— No I Grupo, para testar a compreensão oral, o aluno tinha de  ouvir um texto informativo sobre o Templo Romano de Évora para depois responder a questões sobre o que ouviu.

— O II Grupo é constituído por 3 textos.

     - O texto A, extraído da obra pubicada na Faculdade de Letras de Coimbra “Espaços e Paisagens. Antiguidade Clássica e Herança Contemporânea”, fala dos monumentos da Antiguidade, destacando que já “na Grécia antiga, a experiência do turismo surge, desde os primórdios, associada à religião e ao património artístico e arquitetónico”, o que se comprova pelos textos dos autores da literatura grega e latina, que podem ser considerados “os primeiros guias turísticos”.

    - O texto B é um extracto da Ilíada de Homero adaptada para Jovens por Frederico Lourenço e apresenta-nos os deuses no Olimpo, discutindo sobre o destino de Tróia.

   - O texto C transcreve a estância 40 do Canto I de Os Lusíadas, com a fala de Marte a Júpiter, incitando-o  a enviar o seu mensageiro junto da armada lusa para a orientar na viagem.

— No Grupo IV pede-se ao aluno um texto em que exponha a sua opinião sobre se “é importante estudar o passado da Humanidade”.

 

Claramente uma óptima sequência temática que põe em destaque o valor do passado histórico-cultural, despertando os jovens para o seu estudo.

 

Gaudeamus, igitur!

 

Lentamente, passo a passo, parece que estamos a reverter a situação de esquecimento a que estes estudos foram votados nos últimos anos. Pelo menos ao nível do ensino básico...

 

Começámos, em 2015, pela aprovação de uma disciplina de Introdução à Cultura e às Línguas Clássicas, como oferta de escola, nos três ciclos do Ensino Básico.

No ano lectivo que agora termina foi o projecto “Clássicos em Rede” e as Olimpíadas da Cultura Clássica que alcançou um enorme êxito: vimos escolas empenhadas no estudo dos vários temas propostos, pedido de sessões destinadas a alunos e professores, os alunos a produzirem trabalhos em suportes diversos e a festa, no final, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Finalmente, a prova de exame do 9º ano...

 

Aguardemos a continuação destes pequenos/grandes êxitos e que eles se propaguem ao Ensino Secundário e ao estudo das línguas, o Grego e o Latim.

 

VALORIZAR A MEMÓRIA

Memória: palavra muito “fora de moda” neste mundo tecnológico, ligada mais à máquina do que à pessoa, numa crença errónea de que não é preciso memorizar quando o computador memoriza tudo, quando na internet há toda a informação...

O texto que se apresenta foi publicado no Boletim de Estudos Clássicos, nº 24, em Dezembro de 1995. Muitos anos se passaram, mas poderia ter sido escrito hoje.

Pela sua actualidade, transcreve-se, com algumas supressões:

 

(Re)valorizar a Memória

Breve reflexão pedagógico-didáctica

 

Não vamos, de novo, discutir o problema da importância do latim e da cultura clássica num mundo virado para a tecnologia, que, no entanto, começa, lentamente, a valorizar as questões humanísticas, depois de ter concluído que não é possível a máquina substituir o homem, que uma "tecnologia desumanizada" levaria ao caos, ao desconforto moral, ao apagamento daquilo que é essencial a uma vida plenamente realizada: as emoções, os sentimentos, a relação humana. E é essa relação humana, valorizada na relação pedagógica, que a cultura greco-latina nos transmite.

Por isso, a educação e o ensino têm de valorizar as disciplinas humanísticas como complemento indispensável ao complexo aumento tecnológico e científico alcançado neste final de século e de milénio.

E é neste contexto que ganha grande acuidade a reflexão sobre as novas metodologias de ensino/aprendizagem, na necessidade de "competir" com o mundo da imagem, da informação rápida e imediata, do pré-fabricado, do produto já feito, sem a exigência de um profundo raciocínio, de uma complexa investigação.

É que não adianta o queixume, o lamento, se nada for feito para, remando um pouco contra a maré, levar o adolescente, o jovem, a reflectir sobre a língua, a procurar um enriquecimento cultural, especialmente na área da cultura clássica, que o tornará mais apto a enfrentar os novos desafios do futuro.

Ninguém pode negar o valor da cultura literária e linguística e, juntamente, o conhecimento do latim e da cultura e civilização romanas, para a formação do jovem de hoje, ajudando às suas capacidades de análise e de reflexão críticas, ao domínio da expressão das ideias, ao enraizamento e clarificação de valores e convicções.

Não é aceitando a ideia de que o latim não se adapta ao ritmo de hoje que estamos a contribuir para a formação do adulto de amanhã.

Aliás, se recuarmos um pouco no tempo, verificamos que problemas do mesmo tipo sempre existiram.

Com efeito, já em 1912, um professor francês comentava: " Como não se estuda latim, a frase francesa clássica cai em desuso" e, mais longe, aparece-nos o queixume de um responsável do ensino, em 1863, pois, dizia ele, "certo candidato não compreendia as palavras  condicional  e peroração", ou, em 1860, a observação  de um Reitor de Grenoble: " na prova de versão latina, os candidatos pecam frequentemente por ignorância ou negligência das regras da tradução e ao mesmo tempo por ausência de uma leitura pensada dos autores franceses."[1]

Nada de novo, afinal. Não é só uma questão do tempo actual, um resultado das novas tecnologias, da comunicação audio-visual, da sujeição à imagem.  Será uma fatalidade?

Uma reflexão sobre estas questões permitirá, quem sabe, minorar um pouco esta fatalidade.

Nunca como hoje se falou tanto em Didáctica, em métodos pedagógicos, em pedagogia dos processos de ensino/aprendizagem, etc.. Há, realmente, necessidade de uma constante adaptação do ensino/aprendizagem às novas exigências, às capacidades dos alunos. Mas isto sem esquecer que os alunos de hoje são tão capazes como os de ontem, que têm, até, outras capacidades, podem desenvolver outras aptidões que a outros não eram possíveis. Significa, pois, que não é "facilitando" que ajudamos o jovem no seu crescimento. É necessário provocar o desenvolvimento das capacidades e não deixar que elas se atrofiem porque não exercitadas, porque o trabalho não exige a sua actuação.

A Lei de Bases do Sistema Educativo, ao definir os objectivos para o Ensino Secundário põe em destaque o raciocínio, a reflexão e a curiosidade científica chamando a atenção para a necessidade de desenvolver objectivos instrumentais, isto é, capacitar o jovem para o futuro, incutir nele o espírito de observação e análise, de aprendizagem constante, a capacidade crítica perante o mundo e as coisas, prepará-lo para estar pronto a aprender, sempre.

É preciso, no entanto, não esquecer que estes objectivos instrumentais necessitam de um suporte cognitivo, de uma base, que permita a estruturação significativa dos novos conhecimentos noutros conhecimentos básicos já existentes. Não se pode partir do nada e ninguém está desperto para a aprendizagem, apto à investigação de novos conhecimentos se não possuir uma base de apoio.

Por isso, o aluno necessita de aprender conceitos básicos, de memorizar, para, na altura própria, poder recorrer à sua memória e partir para novos saberes.

Ora, para conseguir o "suporte cognitivo" necessário ao prosseguimento de estudos, o aluno terá de reter os conhecimentos adquiridos na memória, o que só conseguirá se ele organizar os seus próprios esquemas guardando-os naquilo a que A. de La Garanderie chamou o "imaginário do futuro"[2]. Os conhecimentos são retidos não só porque o aluno está motivado mas também porque ele se imagina a utilizá-los num futuro mais ou menos próximo, pois, segundo o mesmo autor, "o esboço mental do futuro é uma estrutura suficiente para aí colocar os conhecimentos a conservar".

É a metacognição, conceito que, com este ou outro nome, sempre foi importante e significativo, na medida em que refere um processo na estrutura do conhecimento sempre necessário e indispensável para o desenvolvimento cognitivo. Temos necessidade de organizar os nossos conhecimentos, de procurar os esquemas mais apropriados, de estabelecer a nossa "base de dados" e conhecer a forma de a activar quando necessário.

São, portanto, necessárias três atitudes pedagógicas fundamentais: a atenção, a reflexão, a memorização.

Ora, a memória foi, durante largos anos, descuidada na relação pedagógica, como reacção ao ensino tradicional, repetitivo, memorizante. Caiu-se, então, no exagero oposto, pensando que não se deve exigir da criança ou do adolescente um recurso à memória, mas apenas à compreensão, ao raciocínio.

E, no caso do estudo de uma língua, é necessário conhecer o vocabulário ("memorizar"). Apesar de o latim não ser uma língua moderna, falada, e de só termos acesso a ela através do texto escrito, esse facto não exclui a necessidade de fixar vocabulário para uma mais correcta e rápida compreensão do texto. Não é "sobrecarregar" a memória "obrigar" o jovem a ir retendo o significado dos vocábulos latinos mais correntes, para que possa analisar textos simples sem recorrer ao dicionário.

Será por isso necessário treiná-los para a memorização do vocabulário, e não só, das questões gramaticais, do essencial dos temas de história, de cultura, de civilização, habituá-los ao confronto com o texto, a recorrer aos conhecimentos guardados no tal "imaginário do futuro".

Será importante organizar, com regularidade, exercícios que despertem para a fixação de vocabulário, para a reflexão sobre o texto latino e seu contexto, para a análise da construção frásica...

A repetição é um desses processos, é certo. Mas não deve ser o único nem demasiado utilizado. Há, no entanto, que distinguir entre a repetição simples e a repetição organizada. Numa repetição elaborada, há o recurso a determinadas organizações sistemáticas, os estímulos cognitivos são diferentes e obrigam, por isso, a raciocinar em diferentes situações, a ver as mesmas questões sob diversas perspectivas. Uma estruturação categorial dos conhecimentos é importante, permite uma comparação e diferenciação, um relacionamento constante dos vários esquemas cognitivos.

Trata-se de conduzir o raciocínio sobre o texto e a frase, de "obrigar" à reflexão e à aplicação de conhecimentos e não ao simples decorar.

...

Em síntese, quisemos, com esta reflexão, salientar a importância e o valor da memória que é preciso estimular nos nossos jovens. Quisemos lembrar que a memória é um instrumento útil e indispensável ao seu pleno desenvolvimento e integração futura, em todas as situações, no mundo do adulto, pois não é possível uma sociedade sem memória, um mundo sem memórias.

                                                                                                  Isaltina Martins

 

[1] Christian Baudelot e Roger Establet, O nível Educativo Sobe , Porto Editora, 1994.

[2] Antoine de La Garanderie, Pedagogia dos Processos de Aprendizagem, Edições ASA, 1989.

Sobre didáctica das Línguas Clássicas

 

 Língua e cultura, a inter-relação indispensável

Questões de didáctica da língua latina *

 

Retomemos a "velha" questão do estudo da língua e do estudo da cultura, isto é, das questões linguísticas tratadas independentemente das questões culturais ou da inter-ligação de todas estas questões — as linguísticas e as culturais.

 

A língua é, em primeiro lugar, comunicação, relação interpessoal, mas é também, e ao mesmo tempo, veículo de transmissão de uma cultura. Estudamos uma língua para podermos comunicar através dela, para podermos compreender o povo que a fala, para compreendermos os textos, para lermos as obras que usam esse código linguístico.

Ora, se estudamos a língua enquanto elemento de cultura, então podemos perguntar se é possível separar os dois campos e estudar um sem estudar o outro.

 

A língua é a expressão de um povo, só através dela se pode chegar ao conhecimento da cultura desse povo, do povo que a fala ou a falou. Mesmo falando a mesma língua, isto é usando o mesmo código linguístico, sabemos como é, por vezes, diferente a significação dada a determinados vocábulos que trazem consigo a carga semântica que lhes é atribuída por aqueles que os utilizam e que torna, assim, esses vocábulos incompreensíveis noutros contextos. Basta pensar, por exemplo, no significado de "viver num monte", num contexto alentejano e no que essa expressão significaria para um habitante de Trás-os-Montes desconhecedor da realidade dessa outra região. O transmontano compreenderia os vocábulos, mas, desinserido do seu contexto, não alcançaria o sentido da mensagem e acharia muito estranho esse "viver". E se relacionarmos com o português do Brasil talvez entendamos a razão de os livros portugueses terem de ser "traduzidos" quando são publicados para o mercado brasileiro. É só lembrar o título do romance de Lobo Antunes "Nos Cus de Judas", expressão idiomática que tem para nós um significado próprio, mas que se tornava incompreensível para os brasileiros. Daí que o título do romance, quando publicado para o Brasil, tenha passado a ser "Nos cafundós de Judas".

 

Quando se trata de textos de épocas passadas, mais evidente se torna a necessidade de conhecer o contexto epocal: veja-se o sentido do "humilde gesto" na poesia de Camões ou o lamento da donzela medieval pela ausência do seu "amigo" que "se foi no ferido" ou "no fossado". O sentido do vocábulo só se compreenderá com o conhecimento da época, do mesmo modo que certa crítica irónica de Garrett nas "Viagens na Minha Terra" não terá significado sem a descodificação das referências culturais, clássicas ou outras, a que o autor recorre com frequência.

 

Parece, pois, ser incontestável que, se o texto é um documento, um testemunho de um povo, ele reflecte a cultura do seu autor que, por sua vez, é reflexo da cultura do seu povo e da sua época. Torna-se, então, indispensável relacionar o texto com o contexto em que surgiu, conhecer os ideais do povo que o produziu, em suma, inseri-lo num contexto histórico-cultural. Só conhecendo o enquadramento em que o texto surge poderemos compreendê-lo, só o tempo e as circunstâncias poderão explicar o sentido exacto de determinada expressão linguística, duma mensagem concreta.

 

Se é certo que podemos chegar ao conhecimento da cultura e civilização romanas através de textos de autores modernos, é certo também que esses autores chegaram a tais conhecimentos através das fontes clássicas: fontes arqueológicas, epigráficas, literárias, logo, na sua maioria fontes linguísticas. Só o conhecimento da língua levará, então, ao conhecimento da cultura. Daí que o estudo da língua e o estudo da civilização e cultura se inter-liguem estreitamente e que o estudo de uma e de outra tenha de ser feito a par, e que para compreender o texto seja necessário conhecer os referentes extra-linguísticos.

Só a ausência de conhecimentos histórico-culturais pode ter levado um tradutor [trata-se de um romance histórico sobre episódios da história de Roma] a dizer que no ano 450 a.C. se deu a "publicação das Leis Romanas sobre as Doze Mesas".

 

É que, para chegar à tradução, isto é, à transposição da mensagem escrita numa língua para uma outra, é indispensável compreender, em primeiro lugar, essa mensagem dentro do seu contexto, linguístico e cultural, as relações de intertextualidade e de intratextualidade. Depois disso, exige-se também o conhecimento das línguas que permita a relação semântica entre os vocábulos das duas línguas em confronto. É esse desconhecimento que leva o mesmo tradutor já citado a dizer, quando se fala de regras de escrita e de retórica, que uma das qualidades do discurso é a "claridade" (em vez "clareza"), ou, numa outra situação em que um cavaleiro prefere uma mula possante e corpulenta a um raquítico cavalo que não aguentaria uma longa viagem, traduzir uma observação feita a propósito deste modo "Não foi, pensei, o sangue campesino de Frontino que o fazia emparelhar com as mulas".

 

Traduções destas mostram um desconhecimento do campo de aplicação do substantivo "claridade" e do verbo "emparelhar" e a não adequação do vocábulo ao contexto em que se insere.

São exemplos diferentes os aqui apontados mas em todos podemos ver como os aspectos linguísticos e os culturais estão intimamente unidos e como o vocábulo perde o seu significado quando desinserido do contexto próprio.

São também reflexos de uma cultura expressões do tipo "trabalhar como um mouro" ou "é tratado como um galego" que, certamente, não seriam compreendidas do mesmo modo entre o povo da Galiza ou no mundo árabe. Também "fazer judiarias" só faz sentido em contexto cristão e o conceito de judeu como o "usurário", o "agiota", que muitos textos nos transmitem, reflecte a tradição vinda de uma época histórica e será para o povo judeu um insulto incompreensível.

 

Será assim no estudo da língua latina, ou da língua grega. Não pode ensinar-se a língua sem nesse estudo incluir a história do seu povo, a sua cultura. Os conhecimentos extra-textuais e extra-linguísticos são essenciais para bem compreender a mensagem que o texto transmite.

Se, por um lado, cada texto possui em si próprio um sentido completo, isto é, contém no seu interior toda a informação necessária, por outro, para uma correcta e completa compreensão do mesmo, torna-se necessário não só inseri-lo na época, como possuir conhecimentos sobre as crenças e costumes dos romanos que determinam as acções de que o texto nos fala.

Isaltina Martins

  • Texto introdutório a uma acção de formação sobre didáctica da língua latina, realizada em Abril de 2000

Curiosidades linguísticas

Um anúncio de tratamento da calvície chamou-me a atenção para a palavra: alopécia, a queda do cabelo, por causas diversas.

 

Curiosa a sua etimologia!

 

Do grego ἀλώπηξ, ἀλώπεκος  que significa "raposa", (daí ἀλωπεκία ) chegou ao português através do latim alopex, alopecis "raposa" e alopecia com o significado de "queda dos cabelos e da barba" formando daí o português alopécia (seguindo a acentuação latina).

 

A origem parece estar relacionada com o facto de a raposa ser um animal muito dado à queda do pêlo.