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A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

No dia de S.Martinho

 

Hoje é dia de S. Martinho.

 

Vem a propósito falar de capela e da origem deste vocábulo.

 

A palavra capela tem origem no vocábulo latino cappella, diminutivo de cappa, que significa capa, logo cappella seria uma capinha, uma capa pequena.

O vocábulo cappella terá aparecido pela primeira vez por volta do ano 660 para designar um pedaço da capa de S.Martinho (conta-se que em 338 S. Martinho teria partido a sua capa ao meio para dar metade a um pobre). Esse pedaço da capa (capinha por já não ser a capa inteira) de S.Martinho foi então guardado num relicário e conservado num oratório construído de propósito para aí poder ser visto e venerado. A determinado momento o nome cappella começou a ser aplicado ao oratório onde estava o relicário. O termo foi mais tarde alargado a outros relicários e passou a substituir a palavra oratório. Já no século XIII, a palavra se aplicava a qualquer local consagrado ao culto religioso e, desde o século XV, passa a designar um "lugar separado na igreja e onde há um altar", alargando-se depois a todos os locais de culto que não tinham o estatuto de igrejas. (fonte: Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado)

 

Vade retro

 

Li, numa tradução de um romance inglês, a expressão "vá de retro". Ora, isto não existe em português. Trata-se de um mau entendimento da expressão latina "vade retro" que significa "afasta-te", "vai para trás", sendo vade uma forma de imperativo do verbo "vado" e retro um advérbio que significa "para trás". 

 

Esta expressão vade retro é usada na Bíblia, Evangelho de São Mateus, quando Cristo, no deserto, praticando o jejum, é tentado por Satanás. Daí ser usada sempre que se quer esconjurar algo.

 

O mesmo verbo vado está presente na expressão "Quo vadis, Domine", para onde vais, senhor, sendo quo o advérbio interrogativo, "para onde" e vadis a 2ª pessoa do singular do presente do indicativo.

 

Quo vadis é o título de um romance do polaco Henryk Sienkiewicz, cuja acção se passa no tempo de Nero, tendo por tema as perseguições aos cristãos, e que deu origem a um filme "Quo vadis", de 1951.