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A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

A cultura e as línguas clássicas

Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

BISSEXTO

Hoje é o dia que os antigos Romanos contavam duas vezes.

Hoje 25 de Fevereiro, pela segunda vez 24.

Esquisito??!

 

Segundo o antigo calendário Romano, estamos no sexto dia antes das Calendas de Março (contando ontem e hoje duas vezes). Porquê?

Foi Júlio César que, no ano 46 a.C., por conselho do matemático Sosígenes, da escola de Alexandria, fez a grande reforma do calendário, criando o ano de 355 dias divididos em 12 meses.

Nesse ano de 46 a.C., o ano teve 445 dias para tentar acertar o calendário lunar com o solar. 

A partir de Janeiro de 45 a.C., o ano passou a contar 365 dias, divididos em 12 meses: Ianuarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Iunius, Quintilis (Iulius), Sextilis (Augustus), September, October, Nouember, December. Cada mês tinha mais ou menos os mesmos dias que o calendário actual.

 

Como continuava a haver um desajuste, embora menor, introduziu-se também o ano bissexto, no início de três em três anos, acrescentando um dia ao mês de Fevereiro. Esse acrescento foi feito repetindo o dia 24 de Fevereiro. E por que razão o dia 24 de Fevereiro?

 

A 23 de Fevereiro os Romanos celebravam, tradicionalmente, Término, o deus dos limites, das fronteiras. Em sua honra celebravam-se cada ano as Termalia, no sexto dia antes das Calendas de Março, visto que Março era o primeiro mês do ano. Para que estas contas tradicionais não fossem alteradas, César acrescentou o dia extra repetindo o dia 24 de Fevereiro — assim, contavam duas vezes o dia 24.

Como, de acordo com a contagem dos dias do mês para os romanos, este era o sexto dia antes das Calendas de Março, era bis (duas vezes) o sexto — daí a palavra bissexto que passou a designar o ano.

Família de palavras

Na etimologia dos vocábulos, encontramos o seu significado profundo. Vejamos alguns exemplos:

— doceo,  docere “ensinar” — verbo causativo “fazer aprender”

   Verbo causativo é quele verbo que exprime a ideia de que o sujeito da oração causa a acção ou processo expresso pelo verbo

Portanto, na acção do verbo está implícita a intervenção do "professor", daquele que ensina,

— o docente, palavra derivada do particípio presente deste verbo "aquele que ensina"

— o doctus é aquele que aprende, é o instruído, o douto

— logo, o indoctus é o que não aprende, é aquele que não sabe

— doctor, doctoris é o mestre, aquele que ensina

— um documentum é uma lição, um exemplo, uma demonstração; por isso uma prova

— doctrina é instrução, é formação teórica, são os conhecimentos inculcados através do ensino;  é ciência

— docilis é aquele que está disposto a aprender, o que se deixa instruir; logo, dócil, flexível

 

Etimologias 4

Inspirada numa questão colocada num concurso televisivo...

Qual o significado de icástico?

O vocábulo português icástico deriva do grego εἰκαστικός (= que diz respeito à representação dos objectos).

Este adjectivo aparece, por exemplo, em Platão quando refere a arte da imitação   εἰκαστικὴ τέχνη.

Trata-se de um adjectivo da mesma família de  εἰκασία  que significa “representação”, “imagem” e do verbo εἰκάζω com o significado de copiar, representar.

Daí que icástico, sendo aquilo que representa uma ideia, sem artifícios, se utilize com o significado de natural, sem enfeites.

Desta mesma família é o vocábulo ícone, referido, por exemplo, aos quadros pintados, geralmente em madeira, nas igrejas ortodoxas, representado a Virgem ou os Santos.  

ícone.jpg

De εἰκών : imagem, retrato.

Outros vocábulos portugueses desta mesma raiz são, por exemplo:

iconografia

icónico

iconoclasta

O vocábulo ícone é utilizado também noutros contextos. Assim:

— qualquer imagem gráfica que representa algo; muito usado, por exemplo, na informática.

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telefone.jpg

— em sentido figurado, um ícone é algo ou alguém que se destaca pelo seu papel representativo de uma cultura, de uma época, de um movimento artístico.

Fobias

Fobia — a nossa dívida ao grego.

fobia: o medo mórbido de alguma coisa, deriva do substantivo grego φόβος que significa "medo", "terror".

Com este elemento se formam muitas palavras que apontam para esse terror doentio de algo.

Um exemplo é  a triscaidecafobia, isto é, o terror do número 13.

Decompondo a palavra, temos:

tris: do numeral grego τρεῖς - 3 ; + cai, do grego και (conjunção copulativa "e" ) + deca, do grego δέκα - 10  —— τρεῖς καὶ δέκα - 13

Outras fobias interessantes...

didascaleinofobia: o medo de ir à escola... (era interessante verificar a razão desse medo...) do grego: διδασκαλεῖον : escola

ergofobia: medo de trabalhar — do grego ἔργον "trabalho"

logofobia: medo das palavras — do grego λόγος  "palavra"

Gimnofobia

A propósito de uma questão colocada num concurso televisivo — o que é gimnofobia?

Não é o medo de “ginásios” (resposta dada pelo concorrente), embora sejam palavras da mesma raiz.

Vejamos:

O adjectivo grego γυμνός (gimnos) significa “nu”, “não coberto” ou “ligeiramente vestido”;

Este adjectivo é da mesma raiz do verbo γυμνόω  que significa “desnudar” ou, na voz passiva, “estar nu”.

Para aperfeiçoar a beleza física, para desenvolver a força e contribuir para a saúde, os gregos praticavam exercício físico. Essa preocupação está presente nas estátuas que nos chegaram e que mostram como o cuidado com o corpo era algo a que dedicavam muita atenção, importante tanto para a preparação do guerreiro, como do cidadão em geral.

discóbulo.jpg

Ora a prática de exercício físico fazia-se com pouca ou nenhuma roupa;

daí γυμνάζω  “desnudar-se para a ginástica”, “fazer ginástica”, “exercitar”

A prática do exercício fazia-se no γυμνάσιον, o ginásio.

Esta a origem das palavras portuguesas: ginásio, ginástica, ginasta, etc.

Mas a origem grega lá está, no adjectivo que significa “nu”.

Portanto, o gimnofóbico não tem medo de ginásios, ele tem medo da nudez.

Sobre a utilidade daquilo que fazemos

Nisi utile est quod facimus, stulta est gloria

Assim respondeu Júpiter à observação de sua filha, Minerva, segundo a fábula de Fedro.

Conta-nos o fabulista latino esta pequena história:  um dia os deuses resolveram escolher, cada um deles, uma árvore a colocar sob a sua protecção. Assim, Júpiter elegeu o carvalho, Vénus o mirto, Febo, o loureiro, Cibele o pinheiro e Hércules o choupo. Porém Minerva, vendo que nenhuma daquelas árvores dava um fruto útil, perguntou a razão de as terem escolhido ao que Júpiter respondeu que escolheram estas exactamente para que não se pensasse que estavam a vender essa honraria por causa do fruto. Minerva observou que,  exactamente por causa do fruto, ela escolhia a oliveira. A sua opinião foi saudada pelo pai dos deuses, afirmando que, na realidade era uma sábia ideia, visto que se aquilo que fazemos não é útil, então de nada vale vangloriarmo-nos porque essa glória não tem sentido.

E Fedro termina com a moral da história: a fábula aconselha a não fazer nada que não seja útil.

Esta fábula (no sentido latino, fabula significa “história”, “pequena narrativa”) leva-nos a pensar sobre o sentido daquilo que fazemos e também sobre a ideia de utilidade.

Parece ser evidente aqui a ideia de que a utilidade tem a ver com os outros. As árvores dão fruto que será útil a alguém, que o vai alimentar. É, portanto, um sentido altruísta, fazer algo de que alguém vá usufruir, que tem proveito. O verbo utilizado, prodesse, é formado de esse, ser, estar com o prefixo pro-, em favor de, no interesse de; é, assim, existir no interesse de alguém, em favor de alguém. Por isso entenderíamos a moral da história nesse sentido de “não fazer nada que não seja proveitoso a alguém, que não seja em favor de alguém”.

Eis a fábula de Fedro:

 

Arbores in Deorum Tutela

Olim quas uellent esse in tutela sua

diui legereunt arbores. Quercus Ioui,

at myrtus Veneri placuit, Phoebo laurea,

pinus Cybelae, populus celsa Herculi

Minerua admirans quare steriles sumerent

interrogauit. Causam dixit Iuppiter:

Honorem fructu ne uideamus uendere."

"At mehercules narrabit quod quis uoluerit,

oliua nobis propter fructum est gratior."

Tum sic deorum genitor atque hominum sator.

"O nata, merito sapiens dicere omnibus.

Nisi utile est quod facimus, stulta est gloria."

Nihil agere quod non prosit fabella admonet.

 

Fedro, III, 17

 

Tradução:

As árvores na protecção dos deuses

Um dia, os deuses escolheram as árvores que queriam ter sob a sua protecção. A Júpiter pareceu-lhe bem o carvalho, a Vénus o mirto, a Febo o loureiro, a Cibele o pinheiro, o altivo choupo a Hércules. Minerva admirando-se perguntou por que razão escolhiam árvores estéreis. Júpiter indicou a causa: “Para que não pareça que vendemos a honra pelo fruto.” “Mas, por Hércules, contará isso quem quiser, para nós a oliveira é mais grata por causa do fruto.” Então o pai dos deuses e criador dos homens, falou assim: “ ó filha, merecidamente és chamada sábia por todos. Se não é útil o que fazemos, a glória é vã.”

A historiazinha aconselha a não fazer nada que não seja útil.

 

Pompeios — a história sempre em actualização

A arqueologia está sempre a trazer novos conhecimentos sobre o passado. As últimas descobertas em Pompeios trazem novidades em relação à data da erupção do Vesúvio, no ano 79 d.C.

Um grafito encontrado numa habitação levará a datar a destruição de Pompeios pela erupção do vulcão, não no dia 24 de Agosto, como até agora se pensava através da narração de Plínio, mas em Outubro.

 

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Captura de ecrã 2018-10-16, às 14.52.40.png

Imagens copiadas daqui e daqui

 

Este grafito, encontrado numa casa que estava em restauro na altura, refere a data de 16 dias antes das calendas de Novembro, isto é, 17 de Outubro. Ora, segundo os arqueólogos, estas inscrições do quotidiano eram feitas em carvão vegetal o que, dadas as suas características, leva a concluir que só poderiam ter sido feitas cerca de uma semana antes da erupção, logo, a 24 de Outubro.

 

Além disso, havia dois factos que, até agora, intrigavam os estudiosos:

-  a análise das vítimas apontava para o uso de roupas quentes, o que não encaixava numa data de Verão, mas já de Outono;

- a abundância de romãs, fruto que amadurece no Outono e não no Verão.

 

Razões para esta discordância de datas em relação à carta de Plínio o Jovem? Talvez o erro de algum copista medieval ao transcrever a carta de Plínio.

 

A notícia pode ser lida aqui e aqui.

 

Da alegria e seus derivados — 2

 

1.

Júbilo — do latim tardio iubilum, por via culta, significa “grande alegria”.

 

O iubilum era um termo popular para designar o “grito de alegria”, uma “aclamação”; designava também o grito de guerra ou de vitória bem como o cântico de alegria nas celebrações religiosas.

 

O verbo iubilare significava, em latim, “soltar gritos de alegria” e “cantar cânticos de alegria, em honra de Deus”.

 

O português jubilar significa “encher de júbilo” e utiliza-se também para designar a aposentação dada a um professor (entre nós, usa-se apenas para os professores universitários, catedráticos, a quem se concede uma aposentação honrosa — em Espanha o termo é aplicado também a outros professores não universitários).

 

Jubilação, professor jubilado.

 

Há ainda o latim iubilaeus (vindo do hebraico, através do grego) que designa uma grande solenidade dos judeus celebrada de 50 em 50 anos.

 

Daí o jubileu, ano jubileu, ano em que o Papa concede indulgências, em certas solenidades; o termo estendeu-se depois a outros aniversários solenes.

 

2.

Regozijo — manifestação de prazer, contentamento, alegria.

 

Derivado do verbo regozijar, vindo, talvez, do castelhano regocijar, que, por sua vez, estará relacionado com goce (que deu o português gozo), na sua etimologia relacionado com o latim gaudium.

 

3.

Satisfação — neste contexto da alegria, significa que temos o suficiente, o quanto baste para nos dar felicidade.

 

Do latim satisfactio  - formado de satis “suficiente”, “bastante” e da raiz do verbo facio “fazer”, quer dizer “fazer o suficiente, o bastante”, logo “ter êxito” e, portanto, estar contente.

 

4.

Aprazimento é “contentamento”, “satisfação”, “prazer” é o contentamento com algo que me é agradável, que me dá prazer.

 

Da mesma família do verbo aprazer e do adjectivo aprazível, vindos de prazer.

 

Relacionam-se com o latim placere que significa “agradar”, “ser agradável”, “parecer bem”.

 

Aprazimento será, assim, uma alegria calma, serena (a palavra é da mesma raiz de plácido (= calmo, tranquilo).

 

“O que me apraz referir é o facto de se tratar de um local plácido, uma paisagem aprazível que nos dá um enorme prazer partilhar com os amigos”

Da alegria e seus derivados — 1

1.

Laetitia (substantivo) e laetus (adjectivo) eram, em latim, termos da vida rústica. O verbo arcaico “laetare” significava “fertilizar”, “adubar” a terra.

 

Dizia-se que o animal era “laetus” e a terra era “laeta” para significar que o animal era gordo, que a terra era fértil. Ora isso eram sinais de contentamento para o agricultor, daí ter passado a designar esse estado de alma, essa satisfação. Se os animais eram férteis e a terra produtiva, certamente o agricultor daria um grito de alegria “laetus clamor”.

 

Contém em si a ideia de “desabrochar”, logo, de “expansão de sentimentos”.

 

O adjectivo laetus, depois da sonorização da  dental, deu o português ledo, que nos aparece no primeiro verso do soneto camoniano “aquela triste e leda madrugada” ou no episódio de Inês de Castro d’Os Lusíadas, quando se diz que “a linda Inês” estava “naquele engano de alma ledo e cego” ensinando às ervinhas dos campos do Mondego o nome do seu príncipe amado, D. Pedro.

 

Temos ainda o substantivo “ledice” (= contentamento). Ainda menos conhecido, mas também registado nos dicionários, é “letícia”, de uso poético, para significar “contentamento”.

 

Claro que uma jovem que dê pelo nome de Letícia devia ser, por princípio, uma pessoa alegre, bem-disposta, prazenteira.

 

2.

O vocábulo latino contentus para além de adjectivo é o particípio passado de contineo. Tem, portanto, em si a ideia de “conter” de “abraçar”, mas também de “refrear”.

 

Então está “contente” com alguma coisa aquele que se sente “satisfeito” (no sentido de que tem em si tudo o que lhe basta) e por isso manifesta alegria, satisfação. Está, assim, “contente com pouco”, contente com a vitória” ...

 

Na sua definição de “amor”, Camões, no célebre soneto diz que ele é “um contentamento descontente”

Já Fernando Pessoa dizia que “Ser descontente é ser homem” .

 

3.

Gaudium é outro vocábulo latino que significa “alegria”, “contentamento”, “satisfação”.

 

Nas Tusculanas, Cícero define-o como “um movimento de satisfação moderada, calma e duradoira”, mas, ao contrário, Lucrécio dá-o como “prazer sensual”, como podemos ler nos exemplos apresentados no dicionário de Gaffiot.

 

Relacionado com o verbo “gaudeo”, designa, na verdade, um prazer interior, uma alegria íntima, bem presente no poema que foi adoptado como Hino Académico “gaudeamus igitur”.

 

 “Depois de parte do Jardim do Campo Grande e do Parque Urbano do Vale da Montanha abrirem ao público para gáudio de todos os lisboetas e visitantes da cidade,” (lê-se na imprensa)

 

 4.

Por sua vez, a palavra portuguesa “alegre” deriva de outro adjectivo latino alacer, alacris, alacre que significa vivo, esperto daí a ideia de alegre e risonho, cheio de entusiasmo, bem-disposto.

 

O português   álacre é “alegre, entusiasta, vivo” como aparece no poema de António Gedeão:

 

Eles não sabem que o sonho

É vinho, é espuma, e fermento

Bichinho álacre e sedento

De focinho pontiagudo”

 

 

5.

Jovial vai mais além. Relaciona-se com Júpiter (o genitivo de Iupiter era Iovis, daí o adjectivo Iovialis).

 

Dizemos “ele é uma pessoa muito jovial” (quando queremos dizer que se trata de uma pessoa alegre e prazenteira) ; é cheio de jovialidade.

 

Num poema sobre o Melro, Guerra Junqueiro diz:

 

O melro, eu conheci-o: 
Era negro, vibrante, luzidio, 
          Madrugador, jovial; 

 

Assim cantava Natália Correia:

 

Ledo o meu amigo foi caçar no monte,
Disseram-me as aves que o esperasse na fonte.
Jovial o vento levou-me o vestido,
Soltou-me o cabelo. E o resto não digo.

 

O vocábulo e o seu sentido resultarão da linguagem da astrologia que considerava felizes aqueles que nasciam sob a influência do planeta Júpiter.

 

A palavra entrou no português através do francês que, por sua vez, o terá importado do italiano.

 

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Gaudeamos igitur!

 

Contentes, cheios de alegria e jovialidade!

 

 

Curiosidades linguísticas - Rostrum

As palavras têm uma história, umas mais interessantes, outras menos...

 

Rostrum era a palavra que designava o bico da ave — daí passou a designar também alguns objectos com a forma de bico, como “ esporão de navio”, “ponta da relha do arado”...

 

Sendo uma palavra do género neutro, no plural é rostra.

 

No Forum Romanum tinha o nome de  ROSTRA a tribuna de onde os oradores falavam ao povo porque estava ornamentada com os esporões (rostra “as proas”) de bronze dos navios tomados ao inimigo na batalha de Âncio, no ano 338 a.C., durante a Guerra Latina.

 

Coluna rostrata era uma coluna ornamentada com esporões — uma foi erigida no comitium em honra de  Duílio, o cônsul que venceu os Cartagineses numa batalha naval durante a 1ª Guerra Púnica.

 

Também foi instituído um prémio pela captura de navios aos inimigos — era uma corona rostrata (uma coroa rostrata) enfeitada com pequenos esporões.

 

Da ideia de “bico de pássaro”, rostrum passou a designar também o focinho de qualquer animal, passando depois a aplicar-se também às pessoas.

 

Daí vem, então, o português ROSTO, já usado no século XIII com a forma rostro.

 

Por extensão passou também a designar o “aspecto” a “frente”, daí a “folha de rosto” de um livro, o “rosto da medalha” (a parte da frente).

 

O vocábulo rostrum entra ainda na composição de palavras da área da botânica e da zoologia.