O poeta latino nasceu a 20 de Março de 43 a.C., em Sulmona, um vale dos Apeninos.

Recordamo-lo hoje aqui, através da sua obra:

 

                      A criação do homem

 

Faltava ainda um ser mais sublime que estes, mais capaz

de conter uma alta inteligência, que pudesse reger os outros.

Nasceu então o homem. Este, ou o fez de semente divina

aquele artífice do universo, a origem do mundo melhor;

ou então a terra recente, separada há pouco do alto éter,

talvez ainda contivesse sementes do céu, seu parente, terra

que o filho de Jápeto, misturando com água da chuva,

moldou à imagem dos deuses que governam tudo.

E se os outros animais, dobrados para baixo, olham o chão,

conferiu ao homem uma cara virada para cima, e instruiu-o

a olhar para o céu e a erguer o rosto erecto para os astros.

Deste modo, o que há pouco era terra em bruto e sem forma

transformou-se e assumiu formas de homens jamais vistas.

 

Metamorfoses, I, 76-88 (trad. de Paulo Farmhouse Alberto, Livros Cotovia, 2007)

 

Confronte-se com a descrição bíblica:

 

Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus, não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar. Mas da terra elevava-se um vapor que regava toda a sua superfície. O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo. (Génesis, 2, 5-7) 

publicado por isa às 11:45