A cultura e as línguas clássicas

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Sexta-feira, 23 / 06 / 17

Os mitos e a sua actualidade

A cultura clássica e a mitologia greco-latina continuam a ser usadas pelos cientistas e pelos estudiosos para designar realidades actuais.

Falando de educação, o psicalista italiano Massimo Recalcati apresenta a sua classificação da evolução do sistema educativo. Três modelos:

 

 

a Escola Édipo: o modelo tradicional e autoritário

 

 

a Escola Narciso: o modelo actual, errático, com aquilo a que chama “ditadura do prazer”, é a ditadura do neo-liberalismo capitalista

 

 

a Escola Telémaco: o modelo que começa a emergir, resultante da estirilidade do presente, da insatisfação dos jovens, “o mal-estar actual da juventude não assenta na oposição entre sonho e realidade, mas na ausência de sonhos”; com a falta de uma autoridade paterna e de lei

 

“A juventude sente a falta de referentes éticos, de figuras paterno/maternas renovadas e confiáveis”

 

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publicado por isa às 08:22
Sexta-feira, 28 / 04 / 17

Falando de aves e de mitologia grega

O mocho-galego

 

Ave nocturna muito comum em Portugal, pouco maior que um melro. É fácil de observar porque tem hábitos parcialmente diurnos, pousa em pontos altos e à beira das estradas ( in http://www.avesdeportugal.info/athnoc.html ).

Captura de ecrã - 2017-04-28, 11.28.48.png

Nome científico: Athene noctua (noctua, em latim significa coruja; nome relacionado com nox, noctis “noite”)

 

O nome científico remete-nos para a mitologia — coruja de Atena.

A coruja era a ave consagrada à deusa Atena, protectora de Atenas, com o seu templo na Acrópole.

Templo-de-Atenea-Niké.jpg

Templo de Atena Níke na Acrópole de Atenas (νίκη “vitória”)

 

A deusa Atena (Minerva para os Romanos) tem também como símbolo a oliveira por ter sido vencedora na luta contra Posídon pela posse da Ática, fazendo nascer do solo uma oliveira.

Atena-dracma.png

Tetradracma com a representação de Atena, a coruja e a oliveira

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Moeda grega de 1 euro com a coruja de Atena.

 

A coruja (mocho-galego) passou a ser símbolo de sabedoria, tal como a oliveira de Atena se tornou o símbolo da paz.

 

publicado por isa às 12:10
Quarta-feira, 04 / 01 / 17

JANEIRO

JANEIRO

De acordo com a tradição, foi a reforma do calendário efectuada pelo segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que acrescentou dois meses (Janeiro e Fevereiro) ao antigo calendário criado por Rómulo.

O calendário cuja criação se atribuía a Rómulo era um calendário agrário de 304 dias, com dez meses muito irregulares. O ano começava em Março e terminava em Dezembro, daí os nomes dos meses, seguindo a numeração: December (de decem -10), o 10º mês, como Nouember (de nouem-9), o 9º mês, October (de octo -8), o 8º mês, September (de septem- 7), o 7º mês.

 

O mês de Janeiro era dedicado a Jano, considerado o deus das portas, das entradas. Mas este mês não foi sempre o primeiro mês do ano.

O ano começava em Março, quando os cônsules eleitos tomavam posse.

 

Foi só no ano 153 a.C. que Ianuarius se tornou o primeiro mês do ano. Quinto Fúlvio Nobilior, cônsul eleito nesse ano, ocupa o cargo no dia 1º de Janeiro. A causa foi a guerra com os Celtiberos, na Hispânia. Por uma questão de urgência de tempo, foi necessário nomear o cônsul mais cedo pois a campanha seria curta se ele só entrasse em funções a 15 de Março.

Jano.jpg

Segundo uma tradição romana, Jano era um antigo rei de Itália que foi divinizado.

Terá vindo para Itália e fundado uma cidade numa colina, que, a partir do seu nome se chama Janículo. Teve um filho chamado Tiber, que dá nome ao rio Tibre. Reinou no Lácio e aí terá acolhido Saturno quando este deus foi expulso do Olimpo pelo seu filho Júpiter. Como recompensa, Saturno ter-lhe-á ensinado as artes de cultivar a terra e o seu reinado é associado à Idade do Ouro. São-lhe atribuídas muitas invenções, entre elas, a invenção do dinheiro. As primitivas moedas romanas trazem a efígie de Jano, representado com duas cabeças.

 

Por tudo isso, após a sua morte foi divinizado.

Tinha um templo no Forum com duas portas que estavam abertas quando Roma andava em guerra e só eram fechadas quando estava em paz. O historiador Tito Lívio diz que, desde o tempo de Numa até ao seu tempo, apenas estiveram fechadas duas vezes: depois da primeira guerra Púnica (241 a. C.) e depois da vitória de Octaviano em Ácio (31 a.C.).

 

Latim : janua “entrada”, “porta” — Januarius : o mês de Janeiro

publicado por isa às 18:47
Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

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