A cultura e as línguas clássicas

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Quarta-feira, 11 / 10 / 17

"O assassinato de Sócrates" de Marcos Chicot

“Tal como os clássicos perderam o seu modelo de civilização, hoje podemos nós também perdê-lo”

 

A frase é do escritor espanhol Marcos Chicot, autor da novela “O assassinato de Sócrates”, em entrevista que pode ser lida aqui .

 

Admitindo que escreve as suas novelas para dar a conhecer alguma coisa aos leitores, ele que já é autor de outras obras, de que se destaca "O assassinato de Pitágoras", declara a sua admiração pela Grécia clássica:

 

“É uma época fascinante. É uma espécie de milagre, em muito pouco tempo num lugar muito concreto, produziu-se uma explosão prodigiosa nos campos principais do saber, da cultura, do pensamento e em muitos dos campos que consideramos a base da nossa civilização.”

 

Mas, acrescenta:

 

“Aquela civilização de quase dois mil e quinhentos anos é a mais parecida com a nossa. E isso tem que fazer-nos pensar que, tal como os clássicos perderam o seu modelo, hoje podemos perdê-lo nós.”

 

Sobre o seu último livro e o seu apreço por Sócrates:

 

“Todos os ensinamento de Sócrates têm plena vigência, desde a busca do conhecimento até conceitos como a justiça universal”

“Em épocas com um certo nível de progresso pensamos que só podemos caminhar para melhor e a História demonstra que não é assim. Nas situações críticas, quando a prioridade é a sobrevivência, os direitos perdem valor. As crises económicas transformam-se em crises sociais e em crises de valores.”

 

Por isso, quando questionado sobre o desaparecimento da filosofia do curriculum escolar, responde:

 

“Em geral o sistema capitalista, que é muito eficiente, trata de converter as pessoas em unidades de produção e de consumo. E o sistema educativo, infelizmente, está a converter-se num meio para isso. “

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publicado por isa às 18:57
Terça-feira, 14 / 06 / 16

Diógenes procurava HOMENS

Captura de ecrã - 2016-06-14, 12.37.53.png

estátua de Diógenes onde?.jpgestátua de Diógenes em Sinope, sua terra natal

 

 

Diógenes, o filósofo, nasceu em Sinope (actual Turquia), mas teve de exilar-se em Atenas, segundo alguns historiadores por ter falsificado moeda (seu pai era banqueiro). Viveu também em Corinto onde veio a falecer, já em idade avançada.

Em Atenas foi discípulo de Antístenes, um aluno e amigo de Sócrates. Antístenes considerava que a felicidade só se alcança pela virtude e que a maior parte dos prazeres não contribuem para tal.

Diógenes foi o seu mais acérrimo seguidor e do apodo que lhe foi dado derivou o nome desta escola filosófica — os cínicos.

Cínico vem de κύων, κυνός, que significa cão ( adj. κυνικός "relativo ao cão"). Assim o tratavam os atenienses por causa da vida que levava e da forma como se dirigia às pessoas para as criticar, “ladrando” como os cães.

Levou até ao extremo as ideias filosóficas do desapego dos bens materiais. Crítico acérrimo da vida social de então, insurgia-se contra os homens que se dedicavam ao luxo e ao prazer material, pois, para ele, a felicidade consistia apenas na satisfação das necessidades básicas. Levava uma vida de total austeridade, vivendo como um mendigo, pedindo esmola nas ruas. Como não lhe davam nada, ele criticava os atenienses que davam esmola aos aleijados, surdos, mas não aos filósofos porque acreditavam que se podia ser cego ou coxo, mas nunca alguém que perdia tempo a pensar. Afirmava ser, na realidade, um cão de caça, daqueles cães que muitas pessoas louvam, mas sem ousar caçar com eles. Era, no fundo, um apátrida, um cidadão do mundo, alguém que, pela palavra, procurava lutar contra a corrupção, contra uma sociedade onde os ricos se banqueteavam e desprezavam os pobres.

Diógenes Laércio na sua obra “Vidas de filósofos ilustres”, livro VI, cap. 2, conta-nos muitas histórias que corriam acerca de Diógenes, pequenas anedotas. Uma das mais conhecida é aquela que diz que ele andava com uma lanterna em plena luz do dia, clamando pela ágora que procurava um homem.— “ Ιώ άνθρωποι“. Quando alguns homens, numa ágora cheia de gente, vieram até ele, Diógenes afugentou-os, exclamando “chamei por homens, não por desperdícios” (“άνθρώπους εκάλεσα ού καθάρματα” )1

Crítico de Platão cujas ideias considerava inúteis para o homem, diz-se que, tendo Platão afirmado que o homem é um animal com dois pés e sem penas, Diógenes depenou um galo e levou-o à escola do filósofo, exclamando “Eis o homem de Platão”.

 

Bibliografia:

  • 1 Diógenes Laércio, VI, 2, καθάρματα: palavra com que se designavam os objectos que, nas purificações, eram rejeitados como impuros.
  • C.Howatson, Diccionario de la Literatura Clasica, Alianza Ed., 1991.
  • Diógenes, el filósofo que vivió como un perro”, in Historia – National Geographic, nº 145.

 

 

 

publicado por isa às 12:43
Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

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