Antigamente era o “velho”, vocábulo derivado do latim vetulus, diminutivo de vetus.

Vetus era, em latim “aquele que não é novo”, o “idoso”, o “antigo”. Opunha-se a novus “novo”, sendo senex o antónimo de juvenis.

 

Na antiga Roma, o cidadão (homem) que tinha entre os 17 e os 30 anos era o adulescens, sendo o Iuuenis, o que tinha entre 30 e 46. Dos 46 aos 60 era considerado senior, sendo o senex o homem que tinha entre 60 e 80 anos de idade.

 

Já no tempo de Cícero o tema da velhice suscitava discussão, a tal ponto que este orador e filósofo lhe dedicou um tratado — De Senectute.

 

Adquirindo a palavra “velho” em português uma conotação desagradável, passou a usar-se mais o termo “idoso”, que designa aquele que tem bastante idade.

 

A sociedade actual, cada vez mais “idosa”, mais envelhecida tratou de abolir esses vocábulos, considerados desagradáveis e, muitas vezes, até insultuosos, porque assim passaram a ser conotados.

 

Daí que, em português, se tenha generalizado desde há uns anos, o termo sénior, para falar da população mais idosa.

Apareceu a Universidade sénior, o desporto sénior, o cartão sénior, o desconto sénior, etc...

 

O pior é quando passa ao plural, seniores ... Então o vocábulo é, quase sempre, mal pronunciado, é-lhe colocada uma acentuação totalmente fora das regras da gramática, ficando mesmo com uma articulação difícil.

 

Ora, sénior é, exactamente, o comparativo do latim senexsénior é o mais velho, em comparação com outros mais novos. Passou depois a designar o idoso, o ancião.

 

Na antiga Roma eram os senes (os velhos) ou os seniores (os mais velhos) que constituíam o senatus (o senado), o órgão de governação mais importante.

Os senatores, exactamente porque a idade trazia um acumular de experiências, de saberes a que os mais novos davam valor, deliberavam sobre as mais importantes decisões para a cidade e para o império, sobre a paz e a guerra.

 

Recentemente (ou não tanto) apareceu o termo gerontolescente, formado à semelhança de adolescente, como se vê.

 

O adolescente é aquele que está a crescer, a desenvolver-se (do latim adolescere, formado de ad+alerealere “alimentar”, “fortificar”, “fazer crescer” — com o prefixo ad que indica movimento para, em direcção a ).

Trata-se do particípio presente desse verbo adolescere: adolescens, adolescentis.

 

Então o gerontolescente é aquele que caminha para velho, para idoso.

 

Temos agora um vocábulo de raiz grega ( γέρων, γέροντος «velho»), formado por analogia com adolescente como se se tratasse também de um particípio presente.

 

O título deste texto foi o título de uma notícia de jornal, uma afirmação de um médico brasileiro, Alexandre Kalache, “autor” do vocábulo, que, recentemente, passou por Coimbra onde deu uma conferência sobre o tema.

publicado por isa às 09:37