A cultura e as línguas clássicas

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Quarta-feira, 05 / 04 / 17

Etimologias — exame e enxame

Exame e enxame a mesma origem etimológica

 

À primeira vista estas duas palavras, com significados bem distintos, parece que nada têm a ver uma com a outra. No entanto, têm uma origem comum.

 

Exame e enxame provêm do mesmo étimo latino: examen.

O vocábulo examen significava, em latim, um conjunto de animais ou pessoas, aparecendo a designar um grupo de homens, ou um conjunto de peixes, ou de abelhas, daí, enxame.

A palavra está relacionada com a raiz do verbo ago e o seu composto ex-ago > exigo.

 

Vejamos:

Verbo ago, agis, agere, egi, actum : pôr em movimento; fazer avançar; agir; fazer.

Desta raiz temos o nome agmen, agminis que significa, em termos latos, multidão; é o termo usado, na linguagem militar, para designar um exército em marcha.

Com o profixo ex-, o nome examen, examinis, tem o mesmo sentido de “multidão” e, portanto, examen apium = uma multidão de abelhas, um enxame.

Ainda com o mesmo prefixo ex-, o verbo exigo, exigis, exigere, significa “tirar para fora”, “expulsar” e também, por isso, examinar, medir, pesar.

Examen, substantivo, era ainda o nome que designava o fiel da balança.

Então examen significa também “exame” (do estudante) e não só, e toda a ideia de medir, pesar.

 

Assim se explicam as palavras divergentes, em português, exame e enxame, sendo esta última resultante de uma evolução fonética, motivada, certamente, pela pronúncia do x em determinada época e região, e que levou ao acrescento da consoante nasal –n.

 

Com esta mesma raiz se relacionam outras palavras portuguesas: agir, agente, agenda, exigir, reagir, redigir e também (da raiz do supino – actum) acto, acção, acta, actor, redacção, entre outras.

publicado por isa às 19:00
Domingo, 05 / 03 / 17

A história das palavras

Há palavras com uma origem curiosa, e esta é uma delas: mausoléu.

 

O dicionário diz-nos que um mausoléu é um monumento funerário grandioso e rico.

 

O nome deriva de Mausolo e remete-nos para uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Mausoléu de Halicarnasso.

Halicarnasso era uma cidade da Anatólia, junto ao mar, e Mausolo foi o seu rei, sucedendo ao pai em 377 a.C.

Corresponderá à actual Bodrum, na Turquia.

Após a morte de Mausolo, em 353 a.C., a mulher (e irmã), Artemísia, mandou construir um monumento de homenagem ao seu amor — um Mausoléu, obra do artista Pítias. No entanto, as datas apontadas pelos historiadores parecem indicar que a construção do Mausoléu terá começado ainda em vida de Mausolo (entre 370 e 365 a.C.).

Deste monumento grandioso, que começou a ser escavado em meados do século XIX, pouco ou nada resta. A sua sumptuosidade, no entanto, é descrita pelos autores antigos, especialmente Vitrúvio e Plínio, o Antigo. E muitos foram os artistas que, ao longo dos tempos, nos apresentaram a sua reconstituição do monumento.

Para completar a memória deste amor e deste monumento, o escritor Aulo Gélio conta-nos que, no auge de um louco sofrimento, Artemísia terá misturado as cinzas do seu amado num copo com vinho que depois ingeriu, assim ficando sempre consigo o grande amor da sua vida.

  

Para aprofundar o tema ver:

José Ribeiro Ferreira e Luísa Nazaré Ferreira (Orgs.), As Sete Maravilhas do Mundo Antigo – Fontes, Fantasias e Reconstituições, Edições 70, 2009.

 

Captura de ecrã - 2017-03-05, 12.24.50.pnglocalização de Halicarnasso

Captura de ecrã - 2017-03-05, 12.27.27.png

ruínas do Mausoléu de Halicarnasso, em Bodrum, Turquia

Captura de ecrã - 2017-03-05, 12.27.06.png

estátuas de Mausolo e Artemísia

 

 

 

publicado por isa às 15:23
Segunda-feira, 13 / 02 / 17

"O presente não basta"

O título é de Ivano Dionigi, professor italiano que foi, até 2015, reitor da Universidade de Bolonha, e que publicou, em 2016, um livro intitulado "Il presente non basta. La lezione del latino" (ed.Mondadori).

 

Das entrevistas dadas a propósito do lançamento do livro destacam-se afirmações como estas:

 

"O latim ensinou-me a centralidade da palavra, o valor do tempo e a nobreza da política"

"Ensina  a importância de agir para o bem [mostra o valor ] de uma política que pode ser a expressão mais nobre do homem"

"ensina a centralidade da palavra e ajuda a fazer a distinção entre o simples vocábulo e a palavra de sentido e verdade"

publicado por isa às 15:28
Segunda-feira, 16 / 01 / 17

Cessação da Secção ? Não

A PALAVRA E O SEU SIGNIFICADO — ETIMOLOGIAS

 

A língua portuguesa é rica em vocábulos que, à primeira vista, muito parecidos têm, no entanto, significados diferentes. Portanto há que estar atento!

 

Vejamos as semelhanças entre alguns vocábulos portugueses e as diferenças que vêm da sua origem:

 

cessação “acto de cessar”, “suspensão”, “interrupção”— do latim cessatio, cessationis “paragem”, “cessação”

da raiz do verbo: cessare “parar”, “cessar”

 

— cessão “acto de ceder”, “cedência” — do latim cessio, cessionis “acção de ceder”

   da raiz do verbo cedo, is, ere, cessi, cessum: “andar”, “ir-se embora”, “ceder”, “recuar”

 

secessão “separação daqueles a que se estava unido”

do latim secessio, secessionis “afastamento”, “secessão”, “revolta”

do verbo secedere [composto de se + cedo ] “caminhar à frente”, “afastar-se”, “separar-se”

 

sessão — do latim sessio, sessionis “acção de sentar”, “sessão”, “audiência”

da raiz do verbo sedere “estar sentado”, “estacionar”, “fixar-se”

e sedes, is “assento”, “morada”, “centro” , “sede”

 

Palavras portuguesas da mesma raiz:

  • sede — lugar onde alguém se pode sentar; edifício principal de uma empresa/instituição
  • sedentário (é o que está sempre sentado)

 

                                 [ sessação — sessar (Brasil): peneirar ]

 

seção “humidade na terra” – termo popular e regional (Trás-os-Montes)

 

secção do latim sectio, sectionis “corte” ; daí também “venda em lotes” (dos bens confiscados)

da raiz do verbo secare “cortar”, “separar”

 

Da mesma raiz:

  • sector
  • sectorial
  • sectário
  • seitoira (Trás-os-Montes) “foice para ceifar” [ do latim sectoriasector, sectoris “o que corta”, “cortador”]

 

Portanto, se alguma vez o convidarem para uma sessão sobre agricultura biológica, não faça cessão aos seus hábitos sedentários. Levante-se da sua cadeira e vá. Se, no final, ficou convencido e quer mudar de actividade, não se precipite, vá primeiro à sede da sua empresa, e proponha-lhes a criação de uma secção sobre esse tema. Se o chefe não ceder aos seus argumentos, arme uma secessão. Se está mesmo convencido das suas razões, não se importe que lhe chamem sectário. Em última instância, peça a cessação da sua actividade e parta para iniciar o seu sonho. Tem que aprender muitas coisas nesse sector. Comece pelo princípio, aprenda a ver se a terra tem seção e, quando for preciso, pegue na seitoira e meta mãos à obra.

Na escola ouviu falar da Guerra da secessão dos Estados Unidos, nas lutas entre o Norte e o Sul. Mas cuidado, esta sua secessão exige sucesso, que é outra coisa, e só se alcança com união.

 

 

 

 

 

publicado por isa às 19:26
Quarta-feira, 04 / 01 / 17

JANEIRO

JANEIRO

De acordo com a tradição, foi a reforma do calendário efectuada pelo segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que acrescentou dois meses (Janeiro e Fevereiro) ao antigo calendário criado por Rómulo.

O calendário cuja criação se atribuía a Rómulo era um calendário agrário de 304 dias, com dez meses muito irregulares. O ano começava em Março e terminava em Dezembro, daí os nomes dos meses, seguindo a numeração: December (de decem -10), o 10º mês, como Nouember (de nouem-9), o 9º mês, October (de octo -8), o 8º mês, September (de septem- 7), o 7º mês.

 

O mês de Janeiro era dedicado a Jano, considerado o deus das portas, das entradas. Mas este mês não foi sempre o primeiro mês do ano.

O ano começava em Março, quando os cônsules eleitos tomavam posse.

 

Foi só no ano 153 a.C. que Ianuarius se tornou o primeiro mês do ano. Quinto Fúlvio Nobilior, cônsul eleito nesse ano, ocupa o cargo no dia 1º de Janeiro. A causa foi a guerra com os Celtiberos, na Hispânia. Por uma questão de urgência de tempo, foi necessário nomear o cônsul mais cedo pois a campanha seria curta se ele só entrasse em funções a 15 de Março.

Jano.jpg

Segundo uma tradição romana, Jano era um antigo rei de Itália que foi divinizado.

Terá vindo para Itália e fundado uma cidade numa colina, que, a partir do seu nome se chama Janículo. Teve um filho chamado Tiber, que dá nome ao rio Tibre. Reinou no Lácio e aí terá acolhido Saturno quando este deus foi expulso do Olimpo pelo seu filho Júpiter. Como recompensa, Saturno ter-lhe-á ensinado as artes de cultivar a terra e o seu reinado é associado à Idade do Ouro. São-lhe atribuídas muitas invenções, entre elas, a invenção do dinheiro. As primitivas moedas romanas trazem a efígie de Jano, representado com duas cabeças.

 

Por tudo isso, após a sua morte foi divinizado.

Tinha um templo no Forum com duas portas que estavam abertas quando Roma andava em guerra e só eram fechadas quando estava em paz. O historiador Tito Lívio diz que, desde o tempo de Numa até ao seu tempo, apenas estiveram fechadas duas vezes: depois da primeira guerra Púnica (241 a. C.) e depois da vitória de Octaviano em Ácio (31 a.C.).

 

Latim : janua “entrada”, “porta” — Januarius : o mês de Janeiro

publicado por isa às 18:47
Sábado, 10 / 12 / 16

Asinus in tegulis

Em casa de Trimalquião, o novo-rico extravagante, no fim da ceia contavam-se histórias, cada um procurando impressionar com a sua narrativa. Depois do conviva Níceros, desafiado pelo dono da casa, ter narrado uma história de lobisomens, é a vez de o próprio Trimalquião contar a sua, sobre Feiticeiras da Noite. E, antes de iniciar o seu relato, quer destacar que se trata de algo muito fora do comum, algo “de arrepiar”, uma coisa nunca vista.

 

     Nam et ipse vobis rem horribilem narrabo: asinus in tegulis. (Petrónio, Satyricon, 63)

 

     “ Mas também eu vos quero relatar um caso de arrepiar: um burro no telhado.

 

 

O léxico:

— tegulum, teguli : telhado

— tegula, tegulae: telha ; no plural: telhas, tecto, telhado

da mesma raiz do verbo:

— tego, tegis, tegere, texi, tectum: cobrir

— asinus : burro

asina: burra

asinarius

Em português

  • tégula (termo usado na arqueologia)
  • telha
  • tecto ...
  • asno
  • asinino
  • asneira
  • asnear

O vocábulo asinária tem outras aplicações. Veja-se:

“No decorrer dos séculos a arte de farinar o grão panificável passou por várias metamorfoses. Encontram-se ainda, por aqui, os trituradores da idade da pedra, a mola manuária, da idade dos metais e também a mola asinária – atafona – accionada por animais, geralmente burros – asinus.” In Apontamentos históricos do Padre Jorge de Oliveira (1865/1957), pároco de Alvalade entre 1908 e 1936, para uma monografia que não chegou a publicar. ( http://www.alvalade.info/memoria-historica-dos-moinhos-e-moagens-de-alvalade/)

 

A expressão “um burro no telhado foi recentemente citada num artigo de jornal que comentava a actual política americana.

Artigo transcrito em: http://dererummundi.blogspot.pt/2016/12/um-burro-no-telhado.html#links

 

 

publicado por isa às 12:45
Sábado, 25 / 06 / 16

“ Não sou velhinho sou gerontolescente”

 

Antigamente era o “velho”, vocábulo derivado do latim vetulus, diminutivo de vetus.

Vetus era, em latim “aquele que não é novo”, o “idoso”, o “antigo”. Opunha-se a novus “novo”, sendo senex o antónimo de juvenis.

 

Na antiga Roma, o cidadão (homem) que tinha entre os 17 e os 30 anos era o adulescens, sendo o Iuuenis, o que tinha entre 30 e 46. Dos 46 aos 60 era considerado senior, sendo o senex o homem que tinha entre 60 e 80 anos de idade.

 

Já no tempo de Cícero o tema da velhice suscitava discussão, a tal ponto que este orador e filósofo lhe dedicou um tratado — De Senectute.

 

Adquirindo a palavra “velho” em português uma conotação desagradável, passou a usar-se mais o termo “idoso”, que designa aquele que tem bastante idade.

 

A sociedade actual, cada vez mais “idosa”, mais envelhecida tratou de abolir esses vocábulos, considerados desagradáveis e, muitas vezes, até insultuosos, porque assim passaram a ser conotados.

 

Daí que, em português, se tenha generalizado desde há uns anos, o termo sénior, para falar da população mais idosa.

Apareceu a Universidade sénior, o desporto sénior, o cartão sénior, o desconto sénior, etc...

 

O pior é quando passa ao plural, seniores ... Então o vocábulo é, quase sempre, mal pronunciado, é-lhe colocada uma acentuação totalmente fora das regras da gramática, ficando mesmo com uma articulação difícil.

 

Ora, sénior é, exactamente, o comparativo do latim senexsénior é o mais velho, em comparação com outros mais novos. Passou depois a designar o idoso, o ancião.

 

Na antiga Roma eram os senes (os velhos) ou os seniores (os mais velhos) que constituíam o senatus (o senado), o órgão de governação mais importante.

Os senatores, exactamente porque a idade trazia um acumular de experiências, de saberes a que os mais novos davam valor, deliberavam sobre as mais importantes decisões para a cidade e para o império, sobre a paz e a guerra.

 

Recentemente (ou não tanto) apareceu o termo gerontolescente, formado à semelhança de adolescente, como se vê.

 

O adolescente é aquele que está a crescer, a desenvolver-se (do latim adolescere, formado de ad+alerealere “alimentar”, “fortificar”, “fazer crescer” — com o prefixo ad que indica movimento para, em direcção a ).

Trata-se do particípio presente desse verbo adolescere: adolescens, adolescentis.

 

Então o gerontolescente é aquele que caminha para velho, para idoso.

 

Temos agora um vocábulo de raiz grega ( γέρων, γέροντος «velho»), formado por analogia com adolescente como se se tratasse também de um particípio presente.

 

O título deste texto foi o título de uma notícia de jornal, uma afirmação de um médico brasileiro, Alexandre Kalache, “autor” do vocábulo, que, recentemente, passou por Coimbra onde deu uma conferência sobre o tema.

publicado por isa às 09:37
Terça-feira, 14 / 06 / 16

Diógenes procurava HOMENS

Captura de ecrã - 2016-06-14, 12.37.53.png

estátua de Diógenes onde?.jpgestátua de Diógenes em Sinope, sua terra natal

 

 

Diógenes, o filósofo, nasceu em Sinope (actual Turquia), mas teve de exilar-se em Atenas, segundo alguns historiadores por ter falsificado moeda (seu pai era banqueiro). Viveu também em Corinto onde veio a falecer, já em idade avançada.

Em Atenas foi discípulo de Antístenes, um aluno e amigo de Sócrates. Antístenes considerava que a felicidade só se alcança pela virtude e que a maior parte dos prazeres não contribuem para tal.

Diógenes foi o seu mais acérrimo seguidor e do apodo que lhe foi dado derivou o nome desta escola filosófica — os cínicos.

Cínico vem de κύων, κυνός, que significa cão ( adj. κυνικός "relativo ao cão"). Assim o tratavam os atenienses por causa da vida que levava e da forma como se dirigia às pessoas para as criticar, “ladrando” como os cães.

Levou até ao extremo as ideias filosóficas do desapego dos bens materiais. Crítico acérrimo da vida social de então, insurgia-se contra os homens que se dedicavam ao luxo e ao prazer material, pois, para ele, a felicidade consistia apenas na satisfação das necessidades básicas. Levava uma vida de total austeridade, vivendo como um mendigo, pedindo esmola nas ruas. Como não lhe davam nada, ele criticava os atenienses que davam esmola aos aleijados, surdos, mas não aos filósofos porque acreditavam que se podia ser cego ou coxo, mas nunca alguém que perdia tempo a pensar. Afirmava ser, na realidade, um cão de caça, daqueles cães que muitas pessoas louvam, mas sem ousar caçar com eles. Era, no fundo, um apátrida, um cidadão do mundo, alguém que, pela palavra, procurava lutar contra a corrupção, contra uma sociedade onde os ricos se banqueteavam e desprezavam os pobres.

Diógenes Laércio na sua obra “Vidas de filósofos ilustres”, livro VI, cap. 2, conta-nos muitas histórias que corriam acerca de Diógenes, pequenas anedotas. Uma das mais conhecida é aquela que diz que ele andava com uma lanterna em plena luz do dia, clamando pela ágora que procurava um homem.— “ Ιώ άνθρωποι“. Quando alguns homens, numa ágora cheia de gente, vieram até ele, Diógenes afugentou-os, exclamando “chamei por homens, não por desperdícios” (“άνθρώπους εκάλεσα ού καθάρματα” )1

Crítico de Platão cujas ideias considerava inúteis para o homem, diz-se que, tendo Platão afirmado que o homem é um animal com dois pés e sem penas, Diógenes depenou um galo e levou-o à escola do filósofo, exclamando “Eis o homem de Platão”.

 

Bibliografia:

  • 1 Diógenes Laércio, VI, 2, καθάρματα: palavra com que se designavam os objectos que, nas purificações, eram rejeitados como impuros.
  • C.Howatson, Diccionario de la Literatura Clasica, Alianza Ed., 1991.
  • Diógenes, el filósofo que vivió como un perro”, in Historia – National Geographic, nº 145.

 

 

 

publicado por isa às 12:43
Domingo, 12 / 06 / 16

As línguas clássicas na Holanda

Holanda, um país onde as línguas clássicas têm valor

 

Parece que, ao contrário de outros países, nomeadamente os de línguas românicas, na Holanda as línguas clássicas são consideradas importantes para a formação dos jovens e o seu estudo tem vindo a aumentar nos últimos anos, chegando aos 10 mil alunos no ano de 2015.

Neste país do Norte, até onde Júlio César alargou as suas campanhas, há estabelecimentos de ensino — os gymnasia — onde o latim e o grego constituem o tronco comum de aprendizagem. No gymnasium todo o aluno, a partir dos 12 anos, quando acaba o ensino básico e entra no ensino secundário, tem, obrigatoriamente, três anos de latim, com uma média de 2 a 3 horas por semana. A estes três anos seguem-se outros três em que podem optar por uma das línguas, grego ou latim, com uma média de 4 a 6 horas semanais, que podem chegar às 8 a 12 horas se continuarem com as duas línguas.

De salientar que estes estabelecimentos de ensino são tidos em alta conta pelos pais pois asseguram um enquadramento culturalmente mais homogéneo. Um em cada quatro alunos deste país faz a sua escolaridade num gymnasium.

No fim dos seis anos, os alunos fazem um exame de estabelecimento e um exame nacional, sendo a nota final a média destes dois exames.

 

Informação recolhida em Les Classiques entre prospérité et crise — L’enseignement du Grec et du Latin aux Pays-Bas por Bas van Bommel, in La Vie des Classiques (http://www.laviedesclassiques.fr)

 

Vivat lingua latina.png

 

 

 

 

 

publicado por isa às 18:01
Sábado, 11 / 06 / 16

Óculos de luxo? em latim...

O latim e a publicidade. Muitas marcas gostam de recorrer ao latim para dar nome aos seus produtos e para os publicitar.

Agora é uma conhecida marca italiana de óculos que assim apresenta a sua nova colecção:

 

NEW || Res\Rei

"Na busca de um nome para os a nossa marca, nós olhámos para algo que simbolizava a nossa herança italiana. Voltámos no tempo para a linguagem da Roma antiga e do seu império: o Latim. RES REI significa "A coisa" em latim. Significa um objeto existente, com substância e forma; mas também significa um conceito, uma ideia. RES / REI é o conjunto de coisas que tornam a vida em torno de nós, em todas as formas dadas." (Handmade in Italy with Love with the best acetates)

 

 E os nomes dos vários modelos são, alguns deles inspirados na mitologia e na história da Roma antiga.

Temos:

 

Minerva (Mythologies take inspiration from the Memphis art movement. Geometrics shapes, bold colors and elaborate patterns are combined in pure Sottsass style!)

 — DianaVenere (Vénus), Giove (Júpiter), Nettuno (Neptuno)

Giullio (“Aut vincere aut mori” - Either to conquer or to die. The Roman Empire, Imperium Rōmānum in Latin native language, at the pick of its expansion, extended across all Mediterranean sea. Each style takes  its name from a Roman Emperor and features bold aesthetics with superior manufacturing.)

 

 

 

 

 

 

 

publicado por isa às 07:46
Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

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