Num jornal diário, a propósito das agências de rating, alguém perguntava "Quis custodiet ipsos custodes?", traduzindo "Quem fiscaliza os fiscalizadores?".

Trata-se de uma frase latina interessante que joga com palavras da mesma raiz, o verbo custodire "guardar" e o substantivo custos, custodis "guarda". A forma verbal está no tempo futuro - custodiet - 'guardará', 'vigiará': quem guardará (há-de guardar/vigiar) os próprios guardas (no caso do artigo de jornal, os fiscalizadores, os que fiscalizam as contas alheias).

 

Assim se entendem frases portuguesas onde entra a palavra custódia:

 " O pai ficou com a custódia do filho ", quer dizer, com a 'guarda / protecção ';

— "O réu saiu sob custódia", isto é, sob detenção, guardado;

— " Neste Museu há uma custódia de ouro muito valiosa", quer dizer, um objecto religioso onde se guarda/expõe a hóstia consagrada.


E há também o Anjo Custódio, Anjo da Guarda; os nomes próprios — masculino e feminino — Custódio e Custódia.


Temos ainda em português o verbo custodiar (guardar, vigiar). Não confundir com custear (relacionado com custo), "fazer as despesas", que pertence a uma raiz diferente.

 

ipsos "os próprios" —  relacionar com expressões latinas vulgarmente usadas:

 

ipsis verbis: literalmente quer dizer "pelas próprias palavras /literalmente"; usa-se para significar que se está a contar o facto tal como foi ouvido, isto é, exactamente pelas próprias palavras que a outra pessoa utilizou;

ipso facto: pelo próprio facto, quer dizer, em consequência de / consequentemente.

publicado por isa às 20:10