Mais um final de ano lectivo, uma época de matrículas se aproxima, uma altura em que os jovens que irão frequentar o 10º ano no próximo ano lectivo terão que construir o seu curriculum escolar. É então altura de pensar, nas escolas, nas famílias, entre os professores, entre os candidatos ao ensino secundário, naquilo que se pretende como formação integral que deve ser ministrada nas nossas escolas, nas capacidades e competências básicas que se devem desenvolver. 

 

Nos últimos anos, temos assistido a uma desvalorização da componente humanística, vemos os cursos de Humanidades sem candidatos e constatamos que muitos jovens que ingressam nos cursos científico-tecnológicos o fazem mais por questões de influência social e a pensar na vertente económica do que tendo em conta o seu gosto pessoal, a sua verdadeira vocação.

 

É certo que pensar no futuro, num curso com saída profissional é importante. Mas, nos tempos que correm, quais são os cursos que dão garantia de saída profissional? É, muitas vezes, o engano, a desilusão, aquilo que espera o jovem licenciado.

 

E, no entanto, quantos empregos, quantas ocupações necessitavam de uma boa formação de base humanista, de um bom domínio da língua portuguesa, de um bom conhecimento da nossa matriz cultural, a cultura greco-latina!

 

Muitos são os factores que conduziram a esta situação de quase desaparecimento das línguas clássicas das nossas escolas secundárias, o primeiro dos quais tem que ver com a reforma do ensino secundário e com o facto de a língua latina deixar de ser obrigatória.

 

É o desconhecimento que leva a fazer más escolhas.

 

O estudo da língua latina é importante para um melhor conhecimento da língua portuguesa e da nossa cultura de base, sem dúvida, mas é também um precioso meio de desenvolvimento do raciocínio analítico, da capacidade de reflexão, de desenvolvimento do espírito crítico, competências tão necessárias nas mais variadas situações e tão descuidadas num ensino muito virado para questões demasiado práticas, tendo por base a imagem, o esquema, num tempo em que se pretende incutir nos jovens a ideia de que tudo se consegue facilmente, e que os deixa sem preparação para, mais tarde, enfrentar os problemas que a vida lhes apresenta.

 

Deixemos de pensar em facilitismos!

 

A língua latina é difícil? Não mais do que outras disciplinas, se o jovem estudante tiver em conta o conhecimento a adquirir e não a facilidade.

 

Nada na vida se consegue sem esforço e é desse esforço que se alcança o verdadeiro sabor do êxito obtido.

publicado por isa às 17:22