É de todos os tempos este mal, já o épico o critica: prosperam os ricos e poderosos, sobem ao poder para se servir a si próprios, o povo é sempre o desprezado, o explorado:

 

 

E vê do mundo todo os principais

Que nenhum no bem público imagina;

Vê neles que não têm amor a mais

Que a si somente, e a quem Filáucia ensina;

Vê que esses que frequentam os reais

Paços, por verdadeira e sã doctrina

Vendem adulação, que mal consente

Mondar-se o novo trigo florescente.

 

Vê que aqueles que devem à pobreza

Amor divino, e ao povo, caridade,

Amam somente mandos e riqueza,

Simulando justiça e integridade.

Da feia tirania e de aspereza

Fazem direito e vã severidade,

Leis em favor do Rei se estabelecem;

As em favor do povo só perecem.

 

Os Lusíadas, IX, 27-28.

publicado por isa às 15:56