O Fio de Ariadne — O Labirinto — O Minotauro

 

Três expressões que estão intimamente ligadas, três expressões que nos remetem para a mitologia clássica e que muitas vezes ouvimos, associadas a realizações e a situações diversas.

 

Estamos em Creta, num tempo indefinido, como é característico dos mitos. Reinava Minos, casado com Pasífaa. Minos possuía um belo touro que lhe tinha sido oferecido por Posídon, senhor dos mares, para que ele lho sacrificasse. O rei, porém, encantado com a beleza do animal não o sacrificou. Posídon, furioso com a sua desobediência, castiga-o da pior maneira: faz com que Pasífaa se apaixone pelo touro e desse amor nasça um monstro, meio touro, meio homem, o Minotauro. Para proteger a população de Creta da fúria deste ser monstruoso, Minos chamou um famoso arquitecto, Dédalo, e encarregou-o de construir um espaço para encerrar o Minotauro do qual ele não pudesse escapar. Dédalo constrói o Labirinto onde o monstro foi encerrado. Ora, este monstro só se alimentava de carne humana, e era de Atenas que vinha o pesado tributo imposto por Minos: sete donzelas e sete jovens que eram enviadas como alimento ao Minotauro.

Um dia, porém, foi o próprio filho de Egeu, rei de Atenas, que se juntou ao grupo de jovens, disposto a matar o monstro que lhes exigia tão hediondo sacrifício. Teseu era já conhecido pelas suas façanhas (muito semelhantes àquelas que são atribuídas a Hércules), mas, apesar disso, seu pai fica inquieto com esta empresa.

 

O destino estava, porém, ao lado de Teseu.

Minos tinha uma filha, a jovem Ariadne, que, ao ver Teseu logo se apaixonou por ele e se tornou uma aliada para o seu plano. Ariadne contou com o apoio do arquitecto Dédalo que forneceu a Teseu indicações concretas sobre a forma de escapar do Labirinto. Assim, Ariadne entregou a Teseu um novelo de fio, que ele ia desenrolando à medida que avançava até ao centro do Labirinto, onde se encontrava o Minotauro. O jovem ateniense tinha, contudo, um compromisso: ao sair teria de levar consigo Ariadne e casar com ela. Claro que Teseu tudo prometeu. Entrou no Labirinto, travou uma dura luta com o Minotauro, matou-o e saiu, seguindo o fio que Ariadne lhe tinha dado. Esse foi o fio condutor, aquele que lhe indicou o caminho para a vida, para a salvação. 

Salvos do Labirinto, Teseu e os outros jovens atenienses dirigem-se ao porto, levando Ariadne.

Navegando em direcção a Atenas, param na ilha de Naxos. Aí Teseu abandona a jovem.

A lenda tem neste ponto duas versões diferentes. Uma diz que Teseu partiu enquanto Ariadne dormia. Assim a terá encontrado o deus Dioniso que a reconfortou. Uma outra versão conta que, enquanto Ariadne descansava, Teseu se dirigiu ao barco e foi arrastado por ventos fortes e que, quando mais tarde regressou à praia para a procurar a encontrou morta.

 

Por este acto também o jovem Teseu é castigado.

 

Acontece que à saída de Atenas tinha combinado com o pai, Egeu, que, se a empresa tivesse êxito, traria velas brancas, que o rei avistaria enquanto o aguardava na Acrópole, de onde poderia ver ao longe os barcos que regressavam. Se, porém, os barcos voltassem sem o seu filho, trariam içadas velas negras. Ora, na confusão da partida, ou porque Teseu ficou perturbado com a morte de Ariadne, o jovem esqueceu-se de tirar as velas negras e foram essas que Egeu avistou. Perturbado, o rei viu nisso o sinal de que seu filho não escapara e atirou-se ao mar. 

 

Por isso o mar passou a chamar-se EGEU.

publicado por isa às 16:01