A cultura e as línguas clássicas

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Domingo, 17 / 07 / 11

O ESTUDO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS NA EUROPA - 3

Também em França o ensino das línguas clássicas tem vindo a diminuir nos últimos anos. A página da confederação das associações de professores de línguas clássicas (CNARELA) dá conta da luta que têm travado em todas as academias do país, ano após ano.

No entanto, vejamos os números:

No ano lectivo de 2010/2011 estudavam línguas clássicas (Latim e/ou Grego) no ensino não universitário: 539 207 alunos. 


É que, em terras de Astérix, o estudo da língua latina começa no collège, correspondente ao nosso 3º ciclo, e, desde 1996, ele é facultativo nos três anos que precedem a entrada no Liceu (o nosso ensino secundário), com duas horas semanais no primeiro ano e três horas semanais nos outros dois. O grego é introduzido apenas no último ano do colégio, com três horas por semana.

 

E os números são impressionantes!

Na entrada de 2010 havia, no primeiro ano de Latim (somando o ensino público e o privado): 168 683 alunos; no 2º ano: 143 728 alunos; no 3º ano: 122 997 alunos; o Grego era frequentado no 3º ano por 19 013 alunos.

 

No Liceu as línguas clássicas são de opção, mas de escolha obrigatória segundo o curso a seguir. A soma de efectivos, neste ano lectivo, era de 16 466 alunos a Grego e 68 320 a Latim, nos três anos do Liceu. Daí essa soma de 539 207 alunos a frequentar as línguas clássicas no presente ano lectivo.

 

E os professores franceses  têm razão quando se queixam do abandono. É que, em 2000/2001 havia 577 943 alunos nestas disciplinas, número que foi caindo ao longo dos anos, sendo em 2008/2009 de 548 611, e continuando a diminuir, como se vê.

publicado por isa às 15:51
Sexta-feira, 15 / 07 / 11

OS EXAMES

Apenas 129 alunos no exame de Latim de 11º ano, 1ª fase (em 2010 tinham sido 176). É o lento  desaparecimento...

 

E ficamos admirados com as negativas na disciplina de Português?!

E clamamos porque os alunos não souberam identificar o sujeito?!

 

É o desprezo pelas Humanidades, é o abandono da reflexão sobre a língua (pecado de que já sofrem os próprios professores mais novos, vítimas das inovações no ensino da língua materna)...

 

E, não reflectindo sobre a língua, não se reflecte sobre nada, porque tudo nesta terra se faz sem pensar... E o resultado está à vista...

 

Até onde nos levará este descalabro?...

publicado por isa às 11:28
Domingo, 10 / 07 / 11

QUIS CUSTODIET ?

Num jornal diário, a propósito das agências de rating, alguém perguntava "Quis custodiet ipsos custodes?", traduzindo "Quem fiscaliza os fiscalizadores?".

Trata-se de uma frase latina interessante que joga com palavras da mesma raiz, o verbo custodire "guardar" e o substantivo custos, custodis "guarda". A forma verbal está no tempo futuro - custodiet - 'guardará', 'vigiará': quem guardará (há-de guardar/vigiar) os próprios guardas (no caso do artigo de jornal, os fiscalizadores, os que fiscalizam as contas alheias).

 

Assim se entendem frases portuguesas onde entra a palavra custódia:

 " O pai ficou com a custódia do filho ", quer dizer, com a 'guarda / protecção ';

— "O réu saiu sob custódia", isto é, sob detenção, guardado;

— " Neste Museu há uma custódia de ouro muito valiosa", quer dizer, um objecto religioso onde se guarda/expõe a hóstia consagrada.


E há também o Anjo Custódio, Anjo da Guarda; os nomes próprios — masculino e feminino — Custódio e Custódia.


Temos ainda em português o verbo custodiar (guardar, vigiar). Não confundir com custear (relacionado com custo), "fazer as despesas", que pertence a uma raiz diferente.

 

ipsos "os próprios" —  relacionar com expressões latinas vulgarmente usadas:

 

ipsis verbis: literalmente quer dizer "pelas próprias palavras /literalmente"; usa-se para significar que se está a contar o facto tal como foi ouvido, isto é, exactamente pelas próprias palavras que a outra pessoa utilizou;

ipso facto: pelo próprio facto, quer dizer, em consequência de / consequentemente.

publicado por isa às 20:10
Sexta-feira, 01 / 07 / 11

O ESTUDO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS NA EUROPA - 2

Também na vizinha Espanha, embora a situação das línguas clássicas já tenha conhecido melhores dias, ela é, contudo, bem melhor do que em Portugal.


Ali, logo no Ensino Secundário obrigatório (que vai até ao correspondente ao nosso 3º ciclo) a disciplina de Latim figura como opção no 4º Curso, entre um conjunto de sete, das quais o aluno tem de escolher de 3 a 5.

 

No Bachillerato (alunos de 16 a 18 anos) aparecem duas disciplinas de Latim (Latim I e Latim II) e duas de Grego (Grego I e Grego II), no Curso de Humanidades e Ciências Sociais. Neste curso, os alunos devem cursar seis matérias (3 em cada ano) das quais cinco devem corresponder à modalidade escolhida.

publicado por isa às 22:33
Temas a tratar: o latim e o grego — seu estudo; a língua e a cultura; as origens da língua portuguesa; etimologias; a cultura clássica e a cultura portuguesa

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