A etimologia, isto é, o estudo da origem das palavras, ajuda-nos a perceber o seu significado e a discernir, muitas vezes, a sua especificidade. Há, na nossa língua, palavras que, à primeira vista, parece que nada têm a ver umas com as outras. No entanto, se procurarmos a sua origem, veremos que têm uma raiz comum.

 

Assim, à primeira vista, parece que as palavras "pecuária" e "pecuniário" nada têm em comum. Pois se "pecuária" se refere à criação e tratamento de gado e se "pecuniário" diz respeito a  dinheiro, que semelhança pode haver entre elas?

 

É aqui que a língua e a cultura latinas nos ajudam a perceber que em ambos estes vocábulos está a palavra "pecus", que em latim significa "gado", "cabeça de gado". Não admira, então, a palavra "pecuária".

Ora, antes do aparecimento da moeda, a riqueza media-se pelo número de cabeças de gado, daí a palavra latina "pecunia", que significa "riqueza" e que mais tarde, depois da cunhagem da moeda (que, no início, tinha gravada a cabeça de um animal), passou a significar  "dinheiro". Do substantivo "pecunia" vem o adjectivo "pecuniarius", que deu o português "pecuniário".

 

Outras palavras da mesma família podíamos encontrar.

Na antiga Roma, ao escravo que guardava o rebanho do seu senhor era concedido um pequeno número de cabeças de gado, que eram propriedade sua (e que depois podiam servir para ele comprar a sua liberdade). Era o seu "peculium" (vindo de "pecus", gado). Daí que a palavra "peculium" passasse a significar as pequenas economias do escravo, depois os bens próprios da mater familias e dos filhos, estendendo, mais tarde, o seu significado para "posses", "bens" em geral.

É esta a origem do vocábulo português "pecúlio", isto é, "o dinheiro acumulado pelo trabalho de cada um", "as economias".

 

E desta mesma raiz vêm  também as palavras peculato e peculiar.

 

Ora, neste tempo de crise, tendo o nosso país características muito peculiares, embora saibamos que, muitas vezes, o peculato é a causa do problema, convém que cada um tenha o seu pecúlio porque os tempos que se avizinham não vão ser fáceis no sector pecuniário.

publicado por isa às 19:01